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Bem acolhido

“Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou” (Lucas 15.20). 

Certamente a estória mais conhecida da Bíblia é a chamada Parábola do Filho Pródigo; ela faz parte de um conjunto de 3 parábolas que o Mestre contou com o fito de responder à murmuração de fariseus e escribas, pelo fato dele receber determinado tipo de pessoa que os judeus entendiam não estarem devidamente habilitadas para se avistarem com um Rabi, como Jesus era reconhecido por eles (Lucas 15.1-2). 

A primeira delas é a da ovelha perdida, de um total de cem que estavam sob a responsabilidade do pastor; a segunda é a da dracma perdida, que fazia parte de um conjunto de dracmas que uma mãe portava numa corrente, identificando nelas cada um de seus filhos. 

Encontrar a ovelha perdida e a dracma perdida causou enorme alegria, que não poderia ficar contida, deveria ser partilhada com amigos e vizinhos. 

Na terceira parábola, Jesus situa as coisas no ambiente familiar, onde um homem, que tinha dois filhos, ouve do mais novo seu desejo de usufruir sua herança de imediato; o pai não se mostrou refratário à ideia e liberou o filho. Infelizmente o filho não fez bom uso dos recursos, o que determinou seu retorno ao lar, empobrecido, certamente padecendo enfermidades, porém, verdadeiramente arrependido. 

É notável que na primeira parábola alguma coisa tenha se perdido lá fora, no caso a ovelha, enquanto na segunda, outra coisa tenha se perdido dentro de casa, a dracma. 

Na terceira parábola contada pelo Mestre, o filho mais novo se perde lá fora, longe de casa, no entanto, esta estória não se encerra sem que se observe que alguém também estava perdido dentro de casa, ou seja, o filho mais velho. 

Já se disse varias vezes que a esta derradeira parábola não cabe o nome de Parábola do Filho Pródigo, afinal, não foi só o Pródigo que precisou ser achado; o soturno e mau humorado primogênito também padecia de ser encontrado. Na verdade, a ênfase da estória recai sobre a figura do pai, que, em linhas gerais, representa muito bem o Pai Celestial. 

O pai é o eixo que dá curso a todos os acontecimentos, primeiramente, não restringindo a saída do caçula de sua tutela e, por fim, indo conciliar o mais velho. Mas é no centro dos acontecimentos que observamos o jeito todo especial de proceder do pai, e que nos serve de modelo no propósito de buscar mais que ser buscado. Em Lucas 15.20 destacamos os gestos paternais que foram determinantes para acolhimento. 

Manter o foco. O filho mais novo retornava ao lar profundamente alquebrado, cabisbaixo, memorizando o encabulado discurso que teria que fazer perante o pai, considerando que poderia não ser bem recebido. Mas foi o pai que o avistou primeiramente. Este detalhe aponta para o fato de que o pai mantinha a expectativa do retorno de seu filho, sua esperança jamais arrefeceu, por isso, antes do filho ver o pai, o pai viu o filho; na missão de buscar, não nos deixemos levar pelas circunstâncias infelizes, mantenhamos bem direcionado o nosso objetivo de trazer de volta quem se perdeu. 

Ser Compassivo. Ato contínuo, o texto bíblico afirma que o pai se mostrou compadecido. O filho que havia saído um tempo antes, jovial, alegre, saudável, endinheirado, agora, retorna doente, magro, em estado deplorável, o que poderia gerar asco e críticas da parte do pai; nada obstante, o que teve lugar foi um ambiente de profunda misericórdia, de alguém que se inclinou para a condição miserável de seu familiar. Somos desafiados a buscar não os bem alinhados, mas os que estão em grande miséria. 

Tomar a iniciativa. A proximidade de ambos chegou ao ponto de se avistarem, mas quem tomou a frente para ir na direção do outro foi o pai, que não mediu esforços e saiu correndo. Buscar a outrem demanda muito empenho, muita dedicação, em alguns casos, verdadeira correria. 

Acolher Incondicionalmente. O pai que viu de longe e correu na direção do filho, agora, estende os braços para acolhê-lo; o abraço aponta para o sentido de recepção, de integração. Na busca do que está perdido, devemos dispensar as formalidades, e deixar claro que uma nova porta se abriu. 

Selar a União. O derradeiro gesto do pai é singular. O ósculo tem por efeito selar uma aliança; ao beijar o filho, o pai estava dizendo “você é de casa”. Mesmo assim, o filho não deixou de pronunciar seu discurso decorado, de que ele poderia ser tratado como um empregado; mas ao beijar sua face, o pai já havia selado o compromisso paternal. Eventualmente, o costume pode ser outro, o de um simples aperto de mão, mas que seja bem apertado, para que aquele que é buscado, esteja certo que ele já é de casa. 


 

  Rev. Juarez Marcondes Filho


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