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Santifica-os na Verdade

A oração sacerdotal de Cristo (João 17) encerra um longo discurso iniciado em João 14, quando o Mestre reuniu-se pela última vez com seus discípulos antes do sacrifício redentor. É uma derradeira mensagem aos que o acompanharam e que, agora, ficariam orfanados de sua presença física; é também um testamento a todos os discípulos que viriam segui-lo no correr da história. 

É a oração do Filho ao Pai, demonstrando a mais absoluta vinculação de ambos da obra de salvação. Na economia trinitária, afirmamos que o Pai planejou a salvação, o Filho a executou, e o Espírito Santo a aplica no coração dos eleitos de Deus. Um sem o outro não realizaria a concretude da redenção do homem. 

O plano eterno do Conselho da Trindade, tomou forma no tempo e no espaço com a encarnação do Verbo, sua morte e ressurreição; é possível usufruí-lo pela operação do Espírito. É importante considerar o papel de cada uma das pessoas da Santíssima Trindade, sem perder de vista o conjunto da Obra. Não há incongruência, nem contradição, não há competitividade, nem concorrência, há um foco e uma concordância, há um propósito e um benefício em curso. 

O Trino Deus acha-se presente do começo ao fim em nossa salvação. Paulo declara: "Aquele que começou a boa obra em vós, há de completá-la até o dia de Cristo" (Filipenses 1.6).  Tal promessa é a garantia de nossa plena redenção, pois achamo-nos integralmente sob os auspícios da maravilhosa graça do Senhor. 

Tendo em vista a remissão dos pecados por intermédio do precioso sangue de Cristo, agora "somos transformados, de glória em glória, pela sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito" (II Coríntios 3.18). 

Nossa salvação não se esgotou no perdão dos pecados, ela prossegue no aperfeiçoamento de nosso caráter, para sermos conformes a imagem do Filho (Romanos 8.29), até que cheguemos à perfeita humanidade, à medida da estatura de Cristo (Efésios 4.13). Daí, o papel fundamental da obra da santificação na vida do crente. 

A santificação não é um apêndice na obra da salvação, uma matéria extraordinária e optativa, mas parte integrante de toda a ordo salutis. A ordem da salvação principia antes do tempo, na eternidade, pela livre e soberana eleição divina; segue pelos atos favoráveis de Deus, conferindo ao eleito a oportunidade de conhecer o Evangelho e, por este benefício, ser feito nova criatura, arrepender-se dos pecados, voltar-se para Deus, receber a justificação pela fé. Todas estas graças geram no filho de Deus uma confiança inabalável de sua redenção, a certeza plena da salvação. 

No entanto, a salvação não se esgota neste ponto, ela ainda se completa pelo ministério do Espírito Santo, que opera a santificação. Santificação não é obra humana, é obra de Deus na vida do homem. Não há, portanto, auto-santificação, como se o homem pudesse pelos seus próprios esforços aprimorar seu caráter cristão. 

Aqui reside um dos grandes entraves no crescimento espiritual de muitos crentes; até este ponto, muitos se acham completamente entregues à operação da graça, rendidos ao fazer divino, confiados no poder salvador; mas quando a santificação surge no horizonte, querem tomar as rédeas, tornando o Senhor mero coadjuvante no processo, confiando mais em seus próprios esforços do que na recorrente graça divina. Ritos e liturgias infindáveis, sacrifícios e restrições, posturas e costumes acabam dominando o coração, cerceando o espaço do Espírito Santo na vida do crente. 

"Santifica-os na verdade; a tua Palavra é a verdade" (João 17.17). Este dístico encontra-se estampado no pináculo de nosso mais que centenário Templo, praticamente há 130 anos, e serve de lembrete permanente do ministério santificador do Espírito. 

A Palavra é divinamente inspirada (II Timóteo 3.16), homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito (II Pedro 1.21) É por meio da leitura e meditação na Palavra de Deus que o Espírito aprimora os nossos corações, nos conduz à verdade, habilitando cada um a obedecer os ditames do Senhor. Por este instrumento, o Espírito nos dá o alvo (Filipenses 3.14) e os meios para chegar até lá (Filipenses 2.13). 

Para refletir: 1. Pode o crente ser salvo, mas dispensar a santificação? 2. Dê exemplos de tentativas de auto-santificação. 3. De que modo não somos passivos na santificação? 

Rev. Juarez Marcondes Filho


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