Pastoral da Semana

Onde está a vossa fé?"

(Lucas 8.25)

Pastoral 23/01/2022

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por Rev. Juarez Marcondes Filho

No tocante à mulher cananéia, é notável que Jesus tenha se referido ao fato dela ter uma "grande fé" (Mateus 15.28); semelhante reconhecimento foi formulado a respeito do centurião romano, de quem Jesus disse: "nem mesmo em Israel achei fé como esta" (Lucas 7.9). Já, concernente a Pedro, Jesus declarou: "Homem de pequena fé, por que duvidaste?" (Mateus 14.31). No entanto, quando foi repentinamente despertado pelos discípulos para que os socorresse da tempestade de vento no Mar da Galiléia, Jesus não fez comparações, nem propiciou gradações da fé, apenas indagou deles: "Onde está a vossa fé?" (Lucas 8.25). 

Este deslocamento de abordagem da fé é muito sugestivo, pois, uma vez que a fé é dádiva divina, ela é uma posse daquele que foi contemplado por ela. Portanto, a fé é nossa, ela está à nossa disposição. A questão é: onde a temos colocado? Ela se acha bem firmada em nossos corações ou está tão bem guardada que nem sabemos onde ela se encontra? 

Tendo que portar vários objetos, como chaves, documentos, celular, canetas, distribuímos tudo pelos nossos bolsos, no caso da mulheres, na bolsa. Quando precisamos usar algumas destas coisas, ficamos apalpando os bolsos e escarafunchando a bolsa e, incrivel, como é difícil achá-los quando tanto precisamos deles! 

O mesmo sucede com a fé, fomos beneficiados com este dom, temos a fé, mas quando as circunstâncias mais exigentes chegam a nós, até parece que não possuímos fé, pois não conseguimos encontrá-la em meio às múltiplas preocupações. É como se a fé se perdesse nos nossos bolsos abarrotados com outros interesses. 

A pergunta de Jesus é muito significativa e não pode ficar sem resposta. Primeiramente, é possível responder que a fé que os discípulos demonstravam estava posta no lugar errado. Ela se achava alicerçada na tranquilidade de uma travessia habitual, sem maiores atropelos, em que tudo seguia conforme o esperado. Até que o inesperado se apresentou; a partir deste ponto, houve um desespero generalizado. 

De fato, os tempos críticos são cruciais ao exercício da fé, são ocasiões em que podemos ser testados para saber se realmente confiamos no Senhor ou não. As horas de calmaria são de grande refrigério para a alma, mas é quando o mar se torna tempestuoso que revelamos uma fé madura e sadia. 

Quando o mar ficou empolado, os discípulos despertaram o Mestre que se achava dormindo na popa; o evangelista Marcos anota uma declaração muito sintomática: "Mestre, não te importa que pereçamos?" (Marcos 4.38). 

Esta declaração denota que os discípulos haviam colocado sua fé num deus que pode ser manipulado e questionado quanto aos seus motivos para agir ou deixar de agir. Neste contexto, a Palavra de Deus nos adverte: "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?" (Romanos 9.20). 

Por este detalhe, percebe-se que a fé daqueles primeiros seguidores ainda precisava crescer muito e ter por alvo o Senhor, e não num ser divino diminuto, que precisa ficar dando explicações do que faz o tempo todo. 

É provável que antes de despertar a Jesus, os discípulos tenham feito alguns esforços a fim de vencer aquela circunstância. Se socorreram de Jesus quando não era possível fazer mais nada. Infelizmente, é o que acontece recorrentemente conosco, colocamos nossa fé em nós mesmos, para apenas no final, buscarmos a Deus. Não é bom tal expediente, pois o Senhor é sempre nosso primeiro e mais vital recurso. 

Sejam tempos amenos ou furiosos, de paz ou de perseguição, com fartura ou escassez, ao ser indagados acerca de nossa fé, não podemos titubear, mas ter pronta resposta, de que ela está posta no Deus Altíssimo, que tudo faz conforme o conselho de sua vontade.