“O Verbo era Deus”

João 1.1

Pastoral 18/01/2026

jmf-307
por Rev. Juarez Marcondes Filho

Divino e Humano

“O Verbo era Deus” (João 1.1). João inova o conhecimento de Je-sus, apresentando-o como divino. Enquanto Marcos inicia seu Evangelho com o batismo de Cristo que enseja o início de seu Ministério (Marcos 1.9), e Mateus e Lucas, com suas genealogias (Mateus 1.1-14; Lucas 3.23-38), mostram a absoluta humanidade de Cristo, João lança luzes a respeito da pré-existência do Verbo Divino.

A divindade de Jesus é pressuposto fundamental para a história da salvação. Era imprescindível que o Salvador tivesse natureza divina. Somente Deus seria capaz de realizar tal obra. “Olhei, e não havia quem me ajudasse, e admirei-me de não haver quem me sustivesse, pelo que meu próprio braço me trouxe a salvação” (Isaías 63.5).

A unidade da Igreja tem em Cristo sua garantia porque ele é o Filho de Deus, Deus de Deus, vero Deus, e como tal pode assegurar a formação e a preservação do seu povo. A Igreja não é obra de homens, mas, sim, antes de tudo, do próprio Deus, que realiza sua obra por nosso intermédio.

Nada obstante, não perdemos de vista que à divindade eterna do Verbo vincula-se sua humanidade, a qual ele assumiu por meio da encarnação. “O verbo se fez carne” (João 1.14). No mesmo parágrafo, João une a divindade e a humanidade de Cristo, pois, ele é Deus e se fez homem, vero homem, varão perfeito (Efésios 4.13), em nada diferente de nós, exceto no pecado, que não tinha (Hebreus 4.15).

Na pessoa teantrópica - “theós”, Deus; “antropos”, homem - de Cristo vemos assegurada nossa redenção. Ele é perfeitamente Deus e tornou-se perfeitamente homem, constituindo-se no único capaz de realizar o sacrifício perfeito para que obtivéssemos o perdão dos pecados e recebêssemos a vida eterna.

No exercício de sua humanidade, Jesus é reconhecido como o “novo Adão” (I Coríntios 15.45), tornando-se o modelo da nova humanidade; “por meio de sua obediência muitos se tornarão justos” (Romanos 5.19). A humanidade de Cristo forja a Igreja como paradigma dos homens.

Quando afirmamos que a unidade da Igreja é Cristocêntrica, temos em mente que as duas naturezas de Cristo se acham presentes no âmago da Igreja. Sua divindade é objeto de nossa permanente adoração a Deus. Sua humanidade torna-se padrão para os fiéis que tem em Cristo o modelo de vida, o exemplo de conduta, a maneira de portar-se diante de Deus e dos homens.

O Apóstolo Paulo acompanha o pensamento joanino quando na Epístola aos Filipenses aponta para o movimento de esvaziamento do Filho de Deus – kénosis -, seguido de sua exaltação, para que ao nome de Cristo todo o joelho se dobre em adoração a Deus e toda a língua o confesse como Senhor (Filipenses 2.5-11)

A unidade da Igreja a partir de Cristo não sofre abalos, porque se acha estribada, não nos anseios humanos, mas nos propósitos de Deus. O Filho de Deus, tornou-se Filho do homem, cumprindo integralmente a missão de que foi incumbido.