Descrevemos a glória divina em termos de sua grandeza imensurável, bem como, de sua beleza incomparável; agora, observamos esta glória da perspectiva de sua fortaleza insuperável.
Pastoral 30/03/2025

Cheia da Glória
"No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor ...” (Isaías 6.1).
Ao longo deste primeiro trimestre, temos buscado oferecer a mesma perspectiva que desfrutou Isaías, há 28 séculos; o Profeta ouviu a convocação divina, dizendo “Olhai para mim e sereis salvos” (Isaías 45.22) e passou a mirar a face do Altíssimo. Com os olhos voltados ao Senhor, sua vida e ministério ganharam novo vigor, seus dias encheram-se de significado, seu chamado profético obteve sentido e valor.
O Evangelho chama a atenção do homem para a obra salvadora de Deus, realizada cabalmente por meio de Cristo Jesus; o acolhimento desta graciosa mensagem processa no íntimo do ser a conversão, onde o foco passa a ser o próprio Deus. O não-convertido está mirando as paixões mundanas, os interesses egoístas, olha apenas a si mesmo. O convertido tem seus olhos voltados para o Senhor.
A nova criatura se acha interessada no Reino de Deus, na vontade do Senhor, nos propósitos que o Altíssimo tem; “as coisas antigas já passaram, eis que se fizeram novas” (II Coríntios 5.17).
O convertido é regido pela semente de vida nova que lhe foi implantada no coração, que lhe assegura uma vida em contínuo processo de santificação. Para sua plena realização é imprescindível “olhar firmemente para o Autor e Consumador da Fé, Jesus” (Hebreus 12.2).
A santificação é operada pelo Espírito Santo, que vem morar no coração da nova criatura (Efésios 1.13); por este instrumento, o caráter de Cristo vai sendo moldado dia a dia, numa contínua transformação, de glória em glória (II Coríntios 3.18), até que se chegue “à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4.13). Assim como não se pode dispensar o foco no Senhor na conversão, tanto mais consoante à santificação, faz-se necessária total concentração na presença de Deus.
Isaías deparou-se com o Deus que é absolutamente soberano, o qual se acha assentado num alto e sublime trono. A ideia do trono aponta invariavelmente para seu governo e poder; o fato dele estar assentado indica que não há vácuo de poder, o Senhor o está exercendo plenamente, no interesse de seus mais excelentes desígnios. Deus governa todas as coisas com a força do seu poder.
Os homens exercem autoridade que é derivada do trono do Senhor; devem prestar-lhe contas, se não o fazem, serão, mais cedo ou mais tarde, destronados. A confiança do crente é que, para além do eventual despotismo exercido pelo homem, o Senhor continua assentado sobre um alto e sublime trono, e nada está à deriva, ele levará a bom termo o seu propósito. Apenas, não deixemos de apontar confiantemente nossos olhos para o Senhor.
Na mesma visão, o Profeta percebeu que o Deus Soberano, também é o Deus Santo. O coro angelical não cessava de entoar este inigualável louvor: “Santo, Santo, Santo, é o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6.3).
A santidade do Senhor e sua soberania militam jungidas para assegurar nossa salvação. Nossos olhos estão postos no Deus que se distingue de tudo o que existe. Ele é o Criador de todas as coisas, mas não se confunde com a sua obra. Ele é maior do que ela, e a domina soberanamente.
A graça nos convida a olhar para o Senhor, deparando-nos com o Deus Soberano e Santo e que, também, é Deus Glorioso. Ao vislumbre da soberania e da santidade divinas se junta o vislumbre da glória divina; num certo sentido, este, mais que os outros, é como um flash do seu resplendor, do contrário, seríamos consumidos pela irradiação da sua glória (Êxodo 33.18-23). Mas a porção suficiente da manifestação da glória nos concede perceber que, de fato, toda a terra está cheia da sua glória (Isaías 6.3).
Ao olhar para o Senhor e toda a sua glória, vislumbrando toda sua majestade e plenitude, somos tomados pelo poder de sua santidade e instados a servi-lo com a nossa vida, uma vez que fomos poderosamente alcançados por sua graça maravilhosa.