Pastoral da Semana

Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou"

Efésios 4.32

Pastoral 23/06/2024

Pastoral da Semana
por Rev. Juarez Marcondes Filho

APRENDIZADO DO PERDÃO

Firmados no perdão de Cristo, ressaltamos que por este instrumento o Senhor sara a nossa terra (II Crônicas 7.14), lança nossos pecados nas profundezas do mar (Miquéias 7.19) e cancela a dívida que era contra nós (Colossenses 2.14). Somos receptáculos do perdão divino e também tornamo-nos canais deste perdão uns para com os outros. Carecemos do perdão que vem do Senhor, mas, também, precisamos aprender a perdoar a quem nos tem ofendido (Lucas 11.4).

Neste sentido, sejamos sinceros, temos mais facilidade em acolher o perdão de Deus do que liberar perdão ao nosso semelhante. Quando temos que comparecer diante da face do Altíssimo, contritos nos postamos, cientes da nossa pecaminosidade. No entanto, quando somos procurados por outrem para que os desculpemos, alternamos entre declarar que não há o que perdoar, até fecharmos definitivamente o coração para tal.

Não se nasce sabendo perdoar, é mister aprender. A primeira lição é reconhecer que a dificuldade em perdoar reside minimamente em dois pilares: o primeiro, é que não nos achamos tão pecadores que venhamos a precisar do perdão de Deus; o segundo, é que achamos que os outros são tão pecadores que não merecem ser perdoados, nem por Deus, nem por nós.

Somos pródigos em subdimensionar nossos pecados e em superdimensionar os pecados alheios. Os outros são muito pecadores, tanto que não podem ser perdoados; quanto a nós, podemos levantar muitas explicações que venham justificar nossos pecados. Dois pesos e duas medidas.

O texto que segue reverte todas as nossas expectativas e nos lança numa nova dimensão: "Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou" (Efésios 4.32).

Matriculados na escola do perdão, a lição que segue advém da conjunção que vincula o que o Apóstolo vinha dizendo com o que segue: "antes". Esta pequena palavra faz toda a diferença em nosso entendimento. Tudo o que foi dito anteriormente ganha um contraste no que se seguirá. Mentira, roubo, palavras de baixo calão (palavrão), amargura, cólera, ira, gritaria, blasfêmias, malícia são suplantados pela benignidade, compaixão e perdão.

O que está proposto é uma mudança radical, uma nova forma de ver as coisas; nossa reação diante de determinadas realidades não pode ter a marca do pecado, do velho homem (Efésios 4.22), mas do novo homem (Efésios 4.24), do qual nos achamos revestidos.

Adicionalmente, aprendemos também que o perdão vem sempre bem acompanhado, no caso, da benignidade e da compaixão. A compaixão tem a ver com o que o coração processa em seu âmago. A benignidade é a face externa do que reside no coração. Ser benigno é ser amável, não ser rude, não ser grosseiro. Já, a compaixão move a pessoa na direção de outrem.

Para exercer o perdão, precisamos ser movidos por um coração misericordioso, capaz de se sensibilizar com o próximo, buscando entender o que o levou a pecar contra nós e causar-nos tantos males, chegando ao ponto de nos irritar; sem esta sensibilidade, dificilmente estaremos aptos a perdoar. Isto é compaixão. Estimulados pela compaixão, agora se faz necessário mostrá-la por uma conduta dócil, acessível, acolhedora, amável, benigna, que atrai, integra, une e supera todas as barreiras.

Há uma lição inescápavel e vital para cumprirmos o currículo da escola do perdão: nosso perdão para com o próximo não é nada comparável com o perdão do Senhor para conosco. É na consciência de que somos tremendamente pecadores e, mesmo assim, aprouve ao Senhor nos perdoar, que nos achamos aptos a perdoar ao nosso irmão. "Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós" Colossenses 3.13).