Pastoral da Semana

Examinai as Escrituras, por que julgais ter nelas a vida eterna"

(João 5.39)

Pastoral 07/08/2022

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por Rev. Juarez Marcondes Filho

ATENTOS À PALAVRA

"Ouve, Israel" (Deuteronômio 6.4). "Shemá" é o verbo "ouvir" em hebraico; ganhou a conotação de uma chamada para a oitiva da Palavra de Deus, de tal sorte que, uma vez pronunciada, todo o israelita se postava em atitude de extrema atenção, porque era a voz de Deus que seria pronunciada. 

Inúmeras vezes esta convocação a ouvir a Palavra do Senhor é apresentada nas Escrituras, especialmente Deuteronômio 6 se tornou conhecido com o "Shemá", ou pelo menos o principal "Shemá". 

Neste contexto, somos apresentados a um rudimentar instrumento musical, feito de chifre de carneiro, que servia de trombeta, e é conhecido como "shofar". Ao ser soprado, um som forte e continuado ecoava nas montanhas, conclamando o povo de Deus a prestar atenção na Palavra do Senhor. 

Hoje, com tecnologia moderna, o "shofar" pode ser dispensado, apesar de que em algumas comunidades ele seja usado como um memorial dos primórdios da jornada do povo de Deus. O que não pode ser dispensado é o dever de emprestar toda a atenção a mensagem da Palavra divina. 

Infelizmente, damos mais atenção aos noticiosos do dia do que à eterna Palavra do Senhor; paramos nossa rotina para ouvir um boletim extraordinário a respeito de um assunto político ou econômico, mas não cessamos nossos afazeres quando o "shofar" da alma nos convoca para receber a instrução bíblica. 

O Profeta Isaías, que viveu 700 anos antes de Cristo, declarou, como boca de Deus: "Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares" (Isaías 53.2a). 

O leitor desatento pode imaginar que o que se acha em pauta é um requintado banquete da culinária internacional. No entanto, a parte inicial do versículo indaga: "Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz?" (Isaías 55.2a). 

A mensagem de advertência em linguagem direta é: nos afadigamos para atender nossa agenda carnal, mundana, secular, olvidando os valores do Reino de Deus; gastamos nossa energia para acudir aos apetites do presente século, e não desfrutamos das delícias celestiais. 

Na medida em que valorizamos o ensino de Deus, alimentamos nossa alma com o manjar espiritual, nos deleitando com o que satisfaz o homem interior (II Coríntios 4.16). A instrução divina preenche todos os nossos vazios, tornando-nos nédios no saber e no discernir, robustos na fé e no amor, vigorosos na graça e na bondade, fortes no serviço e na proclamação. 

Este "Shemá" de Isaías põe às claras nossa debilidade espiritual, uma vez que temos optado por erigir uma cultura materialista, com viés amplamente consumista. Somos seduzidos o tempo todo a investir nossa atenção nas roupas de grife, nos carros de marca, nos imóveis de luxo, enquanto nossa alma permanece raquítica e nosso ânimo interior se revela completamente debilitado. 

A Palavra de Deus é pão espiritual, é alimento para o coração, é saúde para a vida. Cristo declarou: "Examinai as Escrituras, por que julgais ter nelas a vida eterna" (João 5.39). Na sede de ver aumentado nosso patrimônio pessoal, alimentamos mente e coração com manuais que instruem a maneira de melhor aplicar nossos recursos econômico-financeiros; no entanto, para a vida eterna, tais manuais não se prestam para nada. 

Ao mesmo tempo em que fixamos nosso olhar para Cristo, abrimos nosso ouvido para sua voz de consolação e motivação, de advertência e orientação, de paz e segurança. 

O "shofar" regularmente é executado, convocando-nos a ouvir o que o Senhor tem para nos dizer. Faz-se necessário limpar toda a sujidade que eventualmente esteja impedindo-nos de ouvir a chamada do Senhor. Ao toque da trombeta, abramos o coração para receber a Palavra da vida eterna.